Impossível deixar de indagar em tempos sombrios para a política e economia nacionais como os atuais se é a hora de,- nas palavras de Rui Barbosa em um discurso no Senado em 1914 onde exigia informações sobre um crime de grande repercussão,- “desanimar da virtude”, “rir-se da honra”, “ter vergonha de ser honesto”.
Certamente que no Brasil muitos já terão mudado a opinião que por décadas prosperou sobre a impunidade e a certeza de que compensa agir de forma errada na política e na atividade empresarial. Afinal, são muitos os políticos e os empresários atrás das grades ou cumprindo penas alternativas.
Uma pergunta, no entanto é inevitável. Como dentro das empresas envolvidas nesses escândalos a corrupção podia ser tão arraigada, uma verdadeira política empresarial? Como tantas pessoas puderam se entregar a ela tão sistematicamente, sem amarras e aparentemente sem peso na consciência? Como se sabe, a tirar pelas maiores delações, são dezenas de executivos que em algum, ou vários momentos, sujaram as mãos no pote melado do dinheiro público.
A impressão que se tem é de que, para essas empresas, a desonestidade era a regra, não a exceção e de que só através da corrupção os objetivos poderiam ser atingidos. Certamente que essa é uma visão distorcida.
A exigência por transparência entre empresas parceiras é cada vez maior. Daí a necessidade e a crescente demanda por códigos internos de ética e de conduta e de políticas sólidas de Compliance.
Também os consumidores finais exigem cada vez mais um tratamento justo e legal. Hoje em dia qualquer um é capaz de invocar o Código de Defesa do Consumidor em seu favor.
Incentivar a honestidade no ambiente corporativo implicará em menores custos legais para a empresa, maior facilidade no relacionamento com colaboradores e parceiros e evidente ganho de confiança perante os clientes finais.
Não há quem não se sinta mais seguro sabendo que está lidando com alguém honesto, com princípios e palavra.
A honestidade é sim uma vantagem competitiva na atividade empresarial. Vale a pena investir nisso.
Autor: Luciano de Lima, sócio do Ferrari, De Lima, Souza e Lobo Advogados.


