As empresas constituídas na forma de sociedades anônimas não são uma invenção recente. Consta que a primeira foi a inglesa Companhia das Índias Orientais, fundada em Londres em 1600 com o direito ao monopólio do comércio com o Oriente, marinha e exércitos próprios para conseguir impor sua vontade aos “parceiros” comerciais.
Talvez tenha sido a maior empresa da história. Suas atividades ao longo de mais de dois séculos desequilibraram a balança comercial mundial a favor do Ocidente, em detrimento do Oriente que a empresa explorou impiedosamente.
Conta-se que o mecanismo da sociedade anônima foi o meio encontrado pelos espertos ingleses para terem acesso ao capital dos ricos judeus londrinos, cujos nomes, no entanto, não queriam que aparecesse nos estatutos da poderosa empresa.
O nascimento dessa corporação gigante marca também o início de uma nova era de comércio financiada pelo capital privado, em detrimento do modelo puramente estatal aplicado na época pelos países ibéricos, também tradicionais comerciantes.
O mecanismo permitia separar investidores e administradores e compartilhar os riscos. Tendo lucro, pagava-se dividendos; em caso de prejuízo os investidores recebiam o valor nominal do capital aplicado. A capitalização da empresa era garantida.
O modelo existe até hoje. Mas por que o brasileiro comum reluta tanto em aplicar seu dinheiro em ações? Há uma ideia falsa de insegurança nesse tipo de investimento que não se confirma. As corretoras de valores dão segurança às operações que são vigiadas por órgãos de controle.
Nos Estados Unidos a cultura do investimento em ações remonta ao fim da II Guerra Mundial e é passada adiante nas famílias e a visão, ao contrário da brasileira a respeito, é de longo prazo, com investimento contínuo, procurando a aposentadoria confortável em detrimento do lucro rápido.
O investimento em ações ajuda a capitalizar as empresas de uma forma mais barata do que o dinheiro oferecido pelos bancos. Empresa capitalizada tem condições de investir em maquinário, instalações e outros itens que levam ao aumento da produtividade e por conseguinte à contratação de mão de obra, diminuindo o desemprego e as tensões sociais.
É um ciclo que beneficia toda a sociedade.
Luciano de Lima, sócio do Ferrari, De Lima, Souza e Lobo Advogados.


